Texto: Marta Tajra/

Pegando o gancho do professor Cineas Santos para o título em questão, dois acontecimentos por si só justificam o título deste artigo: o relançamento do livro de Luciano Maia , em Fortaleza, no final de maio,Jaguaribe, Memória das Águas, em edição comemorativa – 30 anos de sua primeira publicação, e a 11ª edição do Salão do Livro do Piauí (SALIPI), lançado há poucas horas no Teatro 4 de Setembro. O primeiro, eu tive o prazer de participar e degustar literalmente não só dos poemas, mas de um jantar com o poeta e sua trupe, depois do lançamento. Na foto abaixo, Luciano é o que está de boina, ao lado da esposa Ana Jereissati. Ao meu lado, Emmanuel Vasconcelos. E mais abaixo,  Durval Aires e Raquel Lima de Souza, Tacyane Teixeira e Lorenzo Tajra Vecki.

O poeta Luciano Maia e a esposa Ana Jereissati, Marta Tajra e Emmanuel Vasconcelos.

O poeta Luciano Maia e a esposa Ana Jereissati, Marta Tajra e Emmanuel Vasconcelos.

Durval Aires, Raquel Lima de Sousa, Tacyane Teixeira e Lorenzo Tajra Vecki.

Durval Aires, Raquel Lima de Sousa, Tacyane Teixeira e Lorenzo Tajra Vecki.

Com tradução para vários idiomas (inglês, romeno e espanhol), o livro de Luciano ganhou roupagem e editora nova (Armazém da Cultura, de Albanisa Lucia Dumar ) e está em sua décima edição. Convenhamos, para um autor nordestino é a glória. Mas, convenhamos também que o livro de Luciano é um primor que faz a poesia ser valorizada na rima e na métrica – e/ou vice versa – numa dimensão extraordinária, tendo como inspiração máxima o velho e sofrido Rio Jaguaribe, que no calor dos versos, esbanja vento, luz, areia, pedras, um deserto inclemente, ribanceiras…enfim, as personagens cósmicas que compõem seus poemas. Nas palavras de Lauro de Oliveira Lima, a todo momento, o leitor tem que parar para contemplar , na mente, as esculturas – “o boi defunto/que de sede e de fome virou osso/junto ao rio sem água que anda junto”.

Luciano Maia nasceu em Limoeiro do Norte, uma das cidades-cria do rio, que dá aos seus poemas um tom quase biográfico. Esta edição foi lançado na Assembleia Legislativa do Ceará, e tem pretensão de ser lançada em Teresina, com data ainda a ser definida. Em sua dedicatória (versão anterior), ele ‘doa’ seus poemas aos retirantes, “este povo peregrino habitante dos caminhos que depois de morrer nasce de novo ressurgindo das sombras, dos espinhos…”

Para adquirir esta obra, acesse www.armazemcultura.com.br ou ainda pelo telefone: (085) 3224 9780. Eu recomendo.

SALIPI

Outro acontecimento fantástico, que já entra em sua décima primeira edição, é o nosso Salão do Livro do Piauí- SALIPI, que desta vez homenageia o escritor piauiense, Manoel Paulo Nunes, lembrando ainda outros nomes célebres da cultura brasileira que, em 2013, completariam 100 anos de idade: Vinícius de Moraes, Rubem Braga e Permínio Asfora, este ultimo, um filho de imigrante palestino nascido no Piauí. As atividades ocuparão, novamente, o espaço que compreende a Praça Pedro II, Theatro 4 de Setembro e o Clube dos Diários.

A programação completa está disponível no site oficial: (www.salipi.com.br).

Em homenagem ao SALIPI, transcrevo aqui as palavras de um dos idealizadores do Salão, Cineas Santos, que por e-mail, citou Mário Quintana, com direito à charge estilizada do nosso querido curitiboca Nettão (do blog picinez):
FOTO 4

Irmãos e irmãzinhas: em homenagem ao Salão do Livro do Piauí (SLIPI),que se inicia hoje, um poema do Quintana onde poesia, pássaros e livros convivem em perfeita harmonia:

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
(Mário Quintana)

Boa viagem, leitor.

2 Comentários

  1. luciano maia disse:

    Fiquei feliz hoje em rever este ótimo comentário da Marta Tajra. Pensei no Jaguaribe ainda moço…

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